
Rosalinda,
se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar.
A branca areia de ontem
está cheínha de alcatrão.
As dunas de vento batidas
são de plástico e carvão,
e cheiram mal como avenidas,
vieram para aqui fugidas a lama, a putrefacção.
As aves já voam feridas,
e outras caem ao chão.
Mas na verdade, Rosalinda,
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda, envenenado,
a desmaiar, o que mais há desta aridez.
Pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar,
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar.
Tem cuidado, Rosalinda,
se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar.
E em Ferrel, lá para Peniche,
vão fazer uma Central
que para alguns é nuclear,
mas para muitos é mortal.
Os peixes hão-de vir à mão,
um doente, outro sem vida, não tem vida o pescador.
Morre o sável e o salmão,
"Isto é civilização", assim falou um senhor.
Tem cuidado, Rosalinda,
se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar.
(Fausto, Madrugada dos Trapeiros, 1978)
Recordos de nena, de vinilos co roce dun silencio, dunha respiración, dun arañazo. De miña nai cantando.
De cando non entendes palabras doutra lingua, en entón semellan misteriosas, máxicas, coma un conxuro indescifrable. Eu pensaba que era Rosalinda, co meu pé de catraia para Fausto, co meu pie de chiquilla para Luis Pastor.
De cando non entendes palabras doutra lingua, en entón semellan misteriosas, máxicas, coma un conxuro indescifrable. Eu pensaba que era Rosalinda, co meu pé de catraia para Fausto, co meu pie de chiquilla para Luis Pastor.
[Podedes escoitala en http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/audio/rosalinda.htm]




